Adeus a Nykvist, mestre de sombras e focos
Morreu ontem aos 84 anos o fotógrafo de cinema Sven Nykvist, célebre por seus trabalhos com Ingmar Bergman em "Gritos e Sussurros", "Fanny e Alexander" - que lhe deram Oscar - e outros 12 filmes. Bergman é o grande cineasta que é porque para ele não há nada na tela que não tenha significado ou acrescente algo ao significado da cena, em especial as camadas de luminosidade. Nykvist conseguia a graduação de sombra que Bergman desejava, em que o preto era tratado como cor, não para estruturar a composição, mas para recobri-la com certa densidade, em algum lugar entre o espesso e o etéreo. Seu trabalho em "Persona" é meu favorito, um jogo estudado de focos sem o qual o filme perderia boa parte do sentido:
Nykvist fez também a fotografia de "A Insustentável Leveza do Ser", de Philip Kaufman, e de filmes de Woody Allen, especialmente "Crimes e Pecados", em que as cores levemente sombreadas e granuladas ajudam a sustentar o tom cético da narrativa.

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