Ainda sobre terror e isenção
Essa questão de considerar o Hizbollah e o Hamas terrorismo ou resistência tem, sim, importância interna. Quantas reportagens vocês já leram na chamada grande imprensa sobre o Foro de São Paulo, uma entidade criada por Lula e por Marco Aurélio Garcia que reúne partidos e grupamentos de esquerda da América Latina? Acho que nenhuma. Neste grupo, as narcoguerrilheiras Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) têm assento, ao lado do PT. O Brasil reconheceu o estatuto de refugiado político ao narcopadre Medina. Fernandinho Beira-Mar, que o governo do Brasil só conseguiu manter em cana porque São Paulo tinha presídio de segurança máxima, já negociou com aqueles idealistas. Mais do que isso: no primeiro ano de mandato, Lula ofereceu o Brasil como “território neutro” para um encontro entre o governo constitucional da Colômbia e gente que faz reivindicações seqüestrando e matando. Um ombudsman preocupado com a isenção e com o equilíbrio talvez visse nisso uma saudável neutralidade. Assim, não me estranha que o pensamento médio do jornalismo brasileiro em relação aos terroristas expresse compreensão e até tolerância. Podemos inverter alguns sinais para pensar por meio de exemplos. Imaginem se houvesse no Brasil algo parecido com uma guerrilha de direita, de caráter fascista ou coisa parecida. Seria suportável que um país se oferecesse como “neutro” para mediar o conflito? De onde vem essa superioridade moral dos narcotraficantes e dos terroristas árabes?

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