O Filme "O Diabo Veste Prada", de David Frankel. A idéia, imagino, era uma mistura de "Bonequinha de Luxo" com "Sex and the City", só que ficou sem o glamour daquele e a perspicácia deste. Mas é impressionante como os roteiristas de Hollywood ainda sabem balancear crítica e elogio a um universo particular. O filme não deixa de ser um retrato satírico do mundinho fashion, dominado por uma editora de moda autoritária (Meryl Streep, ótima ao prescindir da histeria para soar desagradável) e sua trupe de sicofantas que só pensam em ficar cada vez mais magras e consumistas. Na série de clichês, a falsa patinha feia (Anne Hathaway, linda desde a primeira tomada) é envolvida pela beleza das roupas e acessórios que desfilam pelo filme.
Mais adiante, se vê obrigada a optar entre honra e sucesso, sem com isso deixar de se afeiçoar à megera protetora. A crítica é caricatural, por certo, mas do tipo que realça um aspecto da realidade; afinal, não são poucos os "poderosos" da moda que tratam os outros como objetos (cabides, em geral). Mas a galera "descolada" da pré-estréia a-do-rou o filme. Aí não existe crise de consciência que um par de sapatos Manolo Blahnik não chute para longe.

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