terça-feira, outubro 10, 2006

Santos-Dumont, glamour e tormento

Achei bem realizado o documentário da France 5 sobre Santos-Dumont (ou Santos=Dumont, como ele gostava de assinar, para acentuar que era meio brasileiro meio francês) exibido à meia-noite pelo GNT. Foi baseado no livro "Asas da Loucura", do americano Paul Hoffmann (disponível em edição nacional), mas contou com depoimentos de brasileiros como o físico Henrique Lins de Barros. A reconstituição pareceu precisa e a narrativa, embora convencional, distribuiu bem as informações. O centenário do vôo do 14 Bis - no próximo dia 23 - merece toda a comemoração, ainda que sua tecnologia não tenha se revelado a mais adequada.

Havia nesse homem que queria a dança da máquina com o vento uma busca constante pela elegância e pela leveza. Havia também fragilidade - e uma crença romântica e orgulhosa no progresso como panacéia, a tal ponto que se deixou atormentar pelo uso do avião como arma de guerra como se fosse sua culpa pessoal. Suas aventuras não duraram mais que doze anos, mas por metade desse tempo foi o maior dos pioneiros, o mais inventivo, o mais ousado dos aventureiros da Belle Époque. A aviação tem muitos pais, mas Santos-Dumont certamente é o mais glamouroso e enigmático deles.